Entrevista: Rui Faria



O Rui Faria é um fotógrafo de moda com dupla nacionalidade (Portuguesa e Americana). Já trabalhou com vários clientes de renome tais como a Vogue (Taiwan), Numéro (Rússia), Wonderland, Diva (Austria), Condé Nast (Germania), entre outros.

Atualmente, é em Londres que vive e trabalha. É o fundador da revista britânica de moda – VOLT e fotógrafo de moda.

Falei com ele, a semana passada, e sem qualquer hesitação aceitou uma entrevista.

Fala-me um pouco sobre ti, e do teu interesse na fotografia de moda?

Sou Português de nascença, (pai Português e mãe Angolana). Cresci fora de Portugal, a maior parte em Londres, Boston e Nova York. Fiz a minha educação académica na grande prestígiada escola de belas artes (Museum School of Fine Arts) em Boston, e também estudei na FIT (Fashion Institute of Technology), em Nova York. Por mero caso, fiquei interessado em fotografia.

Como a maioria dos adolescentes, queria ser uma estrela de rock. Os meus ídolos na época eram o Jimmy Page, Eric Clapton, Mick Taylor e, claro, o Jimmy Hendrix. Tive algumas aulas de música, mas, infelizmente, descobri que não possuía as capacidades auditivas necessárias para seguir este ramo! Virei-me, então, para a minha segunda paixão … o cinema. Assim, pensei em tornar-me um diretor de cinema. O interesse na fotografia de moda nasceu quando assisti ao filme “The Eyes of Laura Mars” com a atriz Faye Dunaway, onde desempenhou o papel de um fotógrafo de moda em Nova York. Fiquei completamente fascinado pelas imagens. Nos créditos do filme vi que fazia referencia ao fotógrafo de moda Helmut Newton. Então, no dia seguinte fui à biblioteca e encontrei um livro do Helmut Newton intitulado “Sleepless Nights”. Foi aí que começou a minha viagem no mundo da fotografia de moda.

Quais foram alguns dos desafios que enfrentas-te e quais são os maiores que ainda tens hoje?

Atualmente, os maiores desafios que qualquer fotógrafo enfrenta é a concorrência. Tento manter um grau de criatividade e ao mesmo tempo gerir o negócio. Hoje em dia, espera-se muito dos fotógrafos, sendo as agências no mercado e clientes que escolhem qualquer fotógrafo do mundo que seja capaz de oferecer a mesma qualidade de trabalho.

Qual a fotografia ou projeto que tens mais orgulho?

Estou muito orgulhoso de todas as minhas fotografias. Em termos de projectos, o que mais me orgulha, é a revista VOLT, iniciada em 2006. Começou por ser um pequeno projeto e tornou-se em uma marca internacional. Criamos uma plataforma onde as pessoas podem mostrar sua criatividade.

Quais são os projetos que, atualmente, estás a trabalhar?

Atualmente, tenho vários projetos, incluindo um para a Revista S (Leica).

Como o próprio Rui, mencionou, um dos seus projetos mais recentes é a série exclusiva para a revista Leica S. O projeto “In Full Bloom” é sem dúvida cheio de vitalidade e cor.

Neste vídeo, podem ver os bastidores bem como o próprio a fotografar usando a sua Leica S:

É também conhecido por não tirar muitas fotografias nos seus projectos. Diz que “…  gosto de estar completamente envolvido no processo … embora não haja necessidade de contenção, não tiro muitas fotografias. Eu penso que isso pode fazer-te perder o momento …

Como criaste o teu próprio estilo?

Enquanto estava na universidade, pesquisei por vários fotógrafos cujo trabalho admirava, e isso levou-me a ser assistente de alguns fotógrafos em Nova York, incluindo o falecido Bert Sern. Após 5 anos de ajudar vários fotógrafos, gradualmente comecei a desenvolver meu próprio estilo. Eu diria que é um cruzamento entre Helmut Newton e Avedon.

Quais os fotógrafos do passado e presente que mais te influenciaram?

Os fotógrafos que mais me influenciaram (e ainda o fazem) são os 3 mestres Helmut Newton, Richard Avedon, e Guy Bourdin !

O que tens na tua mala (trabalho e pessoal)?

Depende do projeto mas ou tenho a Leica Type S 007 (digital) ou a Mamiya RB67 (analógica – filme – médio formato). Também tenho sempre comigo o meu iPhone e o P9 Huawei com “Dual Leica Camera” (que a Leica me emprestou), os carregadores para ambos os telefones, um bloco de notas e uma caneta!

O Rui Faria continua a utilizar filme (fotografia analógica), para fazer o seu trabalho profissional de moda. No exemplo abaixo, foi usado o rolo Tri-x 400. Esta imagem saiu na primeira edição da sua revista – Volt.

Luz natural ou artificial?

Tendo em conta que 90% do meu trabalho é no estúdio, e como vivo em Inglaterra, onde o sol brilha uma vez no século, tenho que dizer, a luz artificial. Mas sempre que tenho uma oportunidade tento utilizar a luz do dia/natural.

Qual é o teu conselho para os jovens emergentes na fotografia de moda?

É manterem-se fieis aos seus sonhos, tentarem ser assistentes de outros fotógrafos, porque vão aprender muito mais e ainda por cima são pagos por isso. Não tenham pressa em se aventurar sozinhos até terem a certeza absoluta que estão prontos para enfrentarem o mundo da moda. Qualquer um pode chegar ao topo, o difícil é manterem-se por lá!

Quero agradecer ao Rui Faria, toda a sua gentileza, disponibilidade e prontidão na realização desta entrevista.

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